Em quatro jogos, marcou seis golos. Juntou-lhes exibições convincentes e, devidamente contextualizada, a imagem parecia encaixar que nem uma luva: este é um Hulk de raiva, a explodir nos relvados e a vingar o castigo da última época. A conclusão fazia sentido até Hulk garantir que não é bem assim. Sem esconder que lhe foi difícil engolir os meses de afastamento a que esteve sujeito, o brasileiro diz que se tem visto apenas prazer puro de jogar à bola. Sem ressentimentos e com várias coisas boas atreladas: confiança, motivação, a nova convocatória para a selecção e os tais golos. Muitos. Ele quer marcar mais e quer também recuperar o título de campeão.
Começou a época em grande forma. Este é um ano de raiva por causa do que lhe aconteceu no ano passado?
Nada disso, é um ano de grande felicidade. Quem me conhece sabe que a melhor coisa que me pode acontecer é jogar à bola. Adoro o meu trabalho. Infelizmente, na época passada fiquei muito tempo sem poder jogar, e isso prejudicou-me bastante. Fiquei muito triste por não fazer aquilo de que gosto e também porque não podia ajudar a equipa. Mas isso já passou…
E o que lhe passou pela cabeça nessa altura?
Foi um momento muito complicado, foi uma barra [situação difícil]. É em momentos como aqueles que vemos realmente com quem podemos contar; os meus amigos, a minha família. Houve muito gente que me motivou, que me aconselhou a não deixar de trabalhar da mesma forma, porque sabia que a verdade acaba sempre por prevalecer. Foi difícil, mas foi também um momento de superação a nível individual. Aliás, ainda na época passada o Jesualdo Ferreira deu-me os parabéns pela forma como trabalhei durante esse período. Mesmo sem jogar, nunca deixei de treinar forte, era sempre o primeiro a entrar no campo e o último a sair, porque sabia que tinha de regressar bem, como regressei. Foi duro, mas passou, e agora só quero pensar nas coisas boas.
A propósito de coisas boas: marcou seis golos em quatro jogos. Significa que vamos ter um Hulk goleador?
Antes de falar dos golos, vou falar do meu principal objectivo para esta época: quero voltar a ser campeão pelo FC Porto. É isso que me interessa depois de um ano em que não conseguimos vencer o campeonato e durante o qual estive muito tempo sem competir. Quero trabalhar bem para estar sempre à disposição do treinador. Mas, sem dúvida, sinto ter condições para marcar mais golos do que nas épocas anteriores. Vou caprichar para marcar mais. Quando se ganha, a sensação é muito boa, mas quando se ganha com um golo marcado, sabe ainda melhor.
E acha que pode rivalizar com Falcao nos golos?
Isso não é muito importante para nós; o que interessa é que a equipa vença e esteja sempre no primeiro lugar do campeonato. Depois, se for eu a marcar, o Falcao, o Rolando ou o Varela, é igual. Aliás, até pode ser o Helton a marcar os golos, desde que a equipa vença.
Tem rematado melhor: é jeito ou é a bola que ajuda?
A bola é diferente das outras, e os guarda-redes falaram muito sobre o assunto durante o Campeonato do Mundo. É uma bola boa para rematar, mas também é preciso trabalhar para rematar bem, porque sem trabalho não há bola que ajude. Tenho treinado muito os lances de bola parada, porque são cada vez mais importantes no futebol, mas tenho de reconhecer que a bola também ajuda ao sucesso dos avançados.
O JOGO